segunda-feira, 10 de julho de 2017

Fernando Prass não pode sair do time


Fernando Prass não pode sair do time do Palmeiras. Sim, a fase não é das melhores. Contra o Cruzeiro, no último domingo (9), por exemplo, ele saiu de maneira atabalhoada no primeiro e no terceiro gols. Mas não pode sair do time. Não digo isso apenas por gratidão. E afirmo: se sair, não volta mais.

Vamos começar pelo óbvio: Prass é mais goleiro que seus reservas. Mesmo que Jailson, seu reserva imediato. Nas redes sociais e na internet, de um modo geral, a gritaria é enorme para que Jailson, que é muito bom, diga-se, seja o novo titular alviverde. Uma enquete de um grande portal estava dando 80% a 20% pró Jailson pela manhã. Além de pouco rigor científico, vale dizer: enquete um dia depois de jogo em que um dos votados falhou é pênalti sem goleiro.

No início do ano, até empolgado pelo fim de 2016 e pela incerteza quanto a como Prass voltaria da lesão séria do ano passado, eu defendi que o "Invictus" (como Jailson é chamado pelos colegas, por nunca ter perdido com a camisa do Palmeiras) fosse o titular. Mas Prass voltou e, mesmo com as falhas deste ano, me convenceu de que o lugar é dele.



O outro ponto, menos óbvio, mas preponderante, é o que o futuro próximo do Palmeiras o reserva. Com o Brasileiro mais complicado, embora eu ainda ache que tem muito campeonato e que o Alviverde segue na briga, as duas outras competições são em formato mata-mata. O que significa, em termos práticos, que o risco de haver disputas por pênaltis é maior. Nisso, sabemos, Prass é um especialista. Mas e o Jailson? É bom pra pegar penal?

A verdade é que pouco sabemos de Jailson. Treina bem, dizem os jornalistas que acompanham o clube. Mas, de quem passou muito tempo vendo treinos de futebol profissional: todos os goleiros treinam bem. Treino de goleiro, aliás, é sempre torturante. Um monte de chutes à queima-roupa, centenas de cruzamentos, arremates de longe, saltos sobre elásticos com defesa voadora no final, enfim, um massacre. E todos parecem cumprir a tarefa excelentemente.

Não sabemos de Jailson mais do que os cerca de oito meses em que o vimos em ação no ano passado. Foi muito bem. Seguro, tranquilo e, acima de tudo, predestinado. Mas é suficiente para apostarmos todas as fichas nele, novamente? E se foi uma fase? Prass, com 39, está na ativa desde 1998, sempre em clubes de expressão, praticamente. Jailson, 35, estreou na Série A apenas no ano passado.

Porque sim, se o Prass sair do time agora, não volta mais. O Palmeiras vai de Jailson até o fim ou até uma lesão. Goleiro, de um modo geral, se vai para o banco de reservas por deficiência técnica, não volta. E, se entra, só sai do time machucado ou se falhar demais e irremediavelmente. E, se Jailson entra e falha, o Palmeiras terá perdido os dois goleiros, como me lembrou o amigo Sérgio Trivelato.

"Ah, mas o Cássio voltou no Corinthians". Voltou porque Walter se machucou e Cássio, escaldado, emagreceu no período em que foi reserva. Além de tudo, Cássio é jovem. Prass, com 39 anos, "inativo", vai cair muito fisicamente. Não é à toa que, Guardiolices à parte, goleiros pouco se revezam na titularidade. O reflexo e a forma vão se apurando com o número de partidas. O treino não substitui o jogo pra ninguém, mas menos ainda para o goleiro.

Mais do que isso, e aí não é problema só do Palmeiras, verdade seja dita: se for pro banco, Prass não veste mais a camisa do clube. Não só porque ele vai se revoltar, porque vai. Mas porque seu contrato está bem perto do fim e, certamente, será reajustado para baixo se ele perder a condição de titular. E, mesmo veterano, o camisa 1 palestrino tem mercado. Não vai aceitar um arrocho.

Há pouco, Prass passou a ter Pepe Dioguardi como seu empresário - o mesmo de Kleber Gladiador. Coincidência ou não, após a chegada de Pepinho, Prass, que jamais tinha seu nome ligado a especulações, começou a aparecer na imprensa como cotado para outros clubes.

O fato é que Prass é um monstro. Arrisco dizer que comparável a Marcos no que diz respeito à capacidade de defender o gol. Está em uma fase complicada, claro. Mas não creio que esteja comprometendo o rendimento do time.

A conta é fácil: se trocarmos o goleiro, os problemas do Palmeiras se resolvem? Não, né? O buraco do time não está sob os três paus.

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