terça-feira, 27 de junho de 2017

Quanto mais odiado, melhor

Com todo respeito, quanto mais simpático aos torcedores de outros times for um clube, mais insignificante ele será no que diz respeito aos resultados dentro de campo.

Todo mundo em São Paulo que torce para outros times adora o Juventus, o Nacional e a Portuguesa. Os três, no que diz respeito aos resultados dentro de campo, são praticamente irrelevantes atualmente, a despeito do "carinho" de todos. Obrigado, mas não. Prefiro ser um gigante odiado que dispute títulos sistematicamente.

Ser o campeão brasileiro, ter um elenco caro e bem recheado, um patrocínio astronômico, o maior estádio, o mais bem-sucedido programa de sócio-torcedor e a maior média de público no Brasil estão fazendo do Palmeiras, já historicamente malquisto por seus adversários, um clube cada vez mais antipático aos seus rivais.

O problema é que essa antipatia, como bem apontou no Twitter o repórter Felipe Lucena (Lance), começa a atrapalhar as contratações. Aconteceu com Pratto, Richarlison e, agora, está acontecendo com Diego Souza: os adversário não querem reforçar o Palmeiras. Receosos de verem o elenco alviverde cada vez mais forte, os clubes vêm dificultando ao Palestra a contratação de seus jogadores.

O técnico Cuca conversa com o diretor Alexandre Mattos na Academia de Futebol (Foto: Cesar Greco/ Ag. Palmeiras)

Houve um tempo em que o Palmeiras, já com o diretor Alexandre Mattos, se vangloriava de conseguir contratar quem quisesse no futebol brasileiro. Era verdade. Mas o cenário mudou rapidamente em dois pontos específicos.

Primeiramente (complete mentalmente), o Palmeiras é hoje um clube já muito forte e com caixa alto. Ceder um atleta para um time em construção, de um clube com caixa mediano, é uma coisa. Contribuir para deixar um clube riquíssimo com um time bem próximo do ideal, é outra. Aí vem a segunda mudança: os alvos. Hoje, o Palmeiras mira jogadores importantes de seus rivais.

Vitor Hugo, Gabriel, Lucas, Rafael Marques e até mesmo Dudu chegaram ao Palmeiras para a construção de um elenco. Pratto, Richarlison e Diego Souza chegariam para serem cerejas em um bolo que já está bom. O Galo não se incomodou em ceder Pratto para o enfraquecido São Paulo. O Flu convenceu Richarlison a ficar por lá, até ser vendido à Europa. E Diego Souza? Conseguirá o Sport mantê-lo?

O Palmeiras, no entanto, não pode parar de se reforçar se o mercado interno fechar a porta para sua sanha de se reforçar. A resposta para esse problema pode estar na intensificação de observação nos clubes da América Latina e até mesmo da Europa. As chegadas de Borja, Guerra e Bruno Henrique são exemplos disso, ainda que Borja não tenha se adaptado.

Outra solução é tentar ser criativo para driblar a questão. Nos malucos anos 1990, com medo de ver seus jogadores com a camisa alviverde, o São Paulo, no ato da venda de suas peças para times do Velho Mundo, colocava cláusulas contratuais que impediam a repatriação direta desses atletas para o Palmeiras.

Foi por isso Cafu teve uma discreta passagem de meses pelo Juventude, quando retornou do espanhol Zaragoza para o futebol brasileiro para integrar o alviverde, em 1995. O time de Caxias do Sul também era patrocinado pela Parmalat e serviu de ponte. Um bem bolado do tipo com o Vasco ou Cruzeiro, que tem diretorias próximas à palmeirense, pode ser uma saída.

Com o interesse crescente dos jogadores em atuar pelo Palmeiras, é provável também, que em um futuro a médio prazo, vejamos cláusulas contratuais citando o Palmeiras nominalmente. Assim como Gabriel Jesus, que acabou vendido ao Manchester City, mas tinha uma multa mais baixa para jogar no Barcelona, é possível que jogadores jovens coloquem o Palmeiras como destino preferencial em caso de transferência doméstica.

O fato é que quanto mais dificuldades os clubes criarem ao Palmeiras para ceder seus jogadores, maior é o indício de que o Palmeiras e seu poderio desportivo-financeiro estão caminhando no rumo certo. No futebol, quanto mais odiado um clube for por torcedores e diretores rivais, melhor ele estará no que diz respeito à sua possibilidade de conquistas.

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